Obesidade: Um mal que podemos superar

A obesidade é uma condição crônica e complexa que vai muito além da questão estética. É uma doença multifatorial que tem se tornado um dos maiores desafios de saúde pública no mundo.

No Brasil, estima-se que, até 2035, aproximadamente 41% da população sofrerá de obesidade. E, para promover um tratamento eficaz, é fundamental a compreensão aprofundada da doença.

Neste artigo, abordaremos os principais aspectos da obesidade, desde suas causas e formas de diagnóstico, até as estratégias de tratamento.

Também discutiremos a importância do acompanhamento médico e das mudanças no estilo de vida para um controle de peso eficaz e duradouro.

Quem é o médico que cuida da obesidade?

Várias especialidades médicas tratam obesidade, mas, sem dúvidas, o cardiologista é o médico que lida de forma mais frequente com essa doença.

Para tratar de forma adequada boa parte das doenças cardiovasculares – como hipertensão arterial (pressão alta), dislipidemia (colesterol alto), insuficiência cardíaca e doença coronariana -, é essencial controlar adequadamente o peso.

Dessa forma, o cardiologista é uma das especialidades com maior experiência nesse cuidado.

Quem sou eu?

Muito prazer, sou o Dr Herico Blaschi. Sou cardiologista formado no maior centro de cardiologia da américa latina (InCor), com grande experiência no cuidado das mais diversas doenças do coração.

Ao longo da minha carreira, sempre busquei atualização constante para oferecer aos meus pacientes as opções terapêuticas mais modernas e seguras disponíveis na medicina.

Mas o meu compromisso na medicina e na cardiologia vai muito além da técnica médica. A minha consulta é realizada de forma calma, com “olho no olho” e atenção.

Priorizo a escuta atenta, garantindo que cada paciente receba um tratamento individualizado e adaptado às suas necessidades pessoais. Para mim, compreender a realidade de cada pessoa é fundamental para o sucesso terapêutico.

Fora do consultório, um dos meus compromissos é espalhar conhecimento e educação sobre a cardiologia para a população.

Estou aqui hoje para falar um pouco sobre a obesidade uma doença complexa, que aflige muitas pessoas no Brasil e no mundo.

Com esse artigo, quero dividir um pouco dos meus conhecimentos e da minha experiência com vocês.

Os perigos da obesidade

Antes de qualquer coisa, é necessário alertar: obesidade traz graves consequências a longo prazo.

O importante combate ao preconceito contra obesos acabou gerando, em algumas pessoas, uma sensação de passividade em relação a essa doença.

A obesidade não pode ser estigmatizada e transformada em motivo de chacota, como foi por muito tempo.

Mas é extremamente perigoso quando o paciente cria uma sensação de normalidade em relação ao excesso de peso.

Vamos iniciar esse artigo, então, falando um pouco sobre algumas das principais consequências da obesidade e os riscos que podem trazer para o paciente.

-Traumas psicológicos e transtornos de humor

 

A obesidade traz redução da capacidade física para realização de exercícios, perda de qualidade de vida e queda da autoestima, com um impacto psicossocial importante.

Ainda há muito preconceito em relação à obesidade.

Muitas vezes, o obeso é visto como alguém “preguiçoso” ou “sem disciplina”, sendo preterido em determinados círculos sociais, ou mesmo (de forma velada) em processos seletivos.

A ideia de que a pessoa “é gorda porque quer” ainda é muito presente na nossa sociedade. A pessoa deixa de fazer as atividades que ama e evita ir a lugares que geram maior exposição do corpo.

Muitas pessoas, infelizmente, desenvolvem doenças psiquiátricas – como a depressão – no decorrer da luta para perder peso, o que dificulta ainda mais o tratamento da obesidade.

-Risco cardiovascular

 

A obesidade aumenta a pressão arterial e os níveis de colesterol. Embora não seja causa única dessas doenças para a maioria dos pacientes, dificulta de forma significativa o controle da hipertensão arterial e da dislipidemia.

O aumento da circunferência abdominal, que denota acúmulo de gordura visceral, aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de aterosclerose, as famosas placas de gordura na parede dos vasos.

Como resultado, o paciente com obesidade corre risco maior de desenvolver doenças graves como a doença coronariana, o infarto agudo do miocárdio e o AVC.

– Diabetes Mellitus tipo 2

 

A insulina é o hormônio responsável por reduzir a glicemia (nível de glicose, ou “açúcar”) no sangue.

A obesidade, particularmente a gordura visceral abdominal, causa diminuição da eficácia de ação da insulina no corpo – a famosa “resistência insulínica”.

Isso faz com que o pâncreas, órgão responsável pela produção de insulina, precise trabalhar cada vez mais. Com o tempo, ocorre desgaste e morte das células beta do pâncreas – as responsáveis pela produção de insulina.

Esse é o principal mecanismo que leva ao desenvolvimento da Diabetes Mellitus tipo 2, o tipo mais comum de Diabetes no mundo – responsável por até 95% dos casos.

Além de fazer parte do desenvolvimento da diabetes, a obesidade também dificulta o seu controle, levando à necessidade de mais medicações e até mesmo suplementação de insulina.

A glicose elevada cronicamente danifica os vasos sanguíneos em vários níveis, afetando diversos órgãos. Caso não haja controle adequado da glicemia a longo prazo, a diabetes pode trazer graves consequências, como:

  • Retinopatia diabética, com risco de perda da visão
  • Nefropatia diabética, uma das principais causas de necessidade de hemodiálise no mundo
  • Doenças vasculares, que aumentam o risco de amputação de membros, infarto agudo do miocárdio e AVC

O controle do peso corporal é a principal estratégia preventiva para evitar ou retardar o desenvolvimento do diabetes mellitus.

Para quem já apresenta a doença, o tratamento da obesidade é fundamental para controlar adequadamente a glicemia e evitar os danos que podem ser causados pelo diabetes no corpo.

– Câncer

 

A obesidade está associada ao aumento significativo do risco para vários tipos de câncer, como:

    • – Mama

    • – Próstata

    • – Endométrio

    • – Cólon

    • – Rim

A gordura corporal excessiva produz hormônios – como o estrogênio – e fatores inflamatórios que estimulam o crescimento celular descontrolado, promovendo a formação tumoral.

Estudos epidemiológicos demonstram que indivíduos obesos têm maior incidência e mortalidade por câncer em comparação com indivíduos com peso saudável.

Portanto, a perda de peso parece desempenhar um papel fundamental para redução do risco oncológico.

– Problemas respiratórios

 

Pacientes obesos frequentemente sofrem de síndrome da apneia obstrutiva do sono, condição caracterizada por interrupções respiratórias durante o sono. Essa doença causa problemas como:

    • – Aumento do risco de desenvolvimento e dificuldade de controle da hipertensão arterial sistêmica

    • – Aumento do risco de desenvolvimento e dificuldade de controle da fibrilação atrial

    • Comprometimento neurocognitivo que afeta a atenção, a vigilância, a aprendizagem e a memória

    • Perda de qualidade de vida devido a sintomas como sonolência diurna excessiva, distúrbios do humor e até disfunções sexuais

Em casos mais graves, o excesso de gordura no tórax e abdômen pode dificultar a expansão pulmonar mesmo durante a vigília, em uma síndrome conhecida como “Pickwick” – ou “hipoventilação da obesidade”.

Esses pacientes passam a apresentar acúmulo constante de gás carbônico no sangue e sensação de falta de ar (dispneia) mesmo para realizar atividades cotidianas.

– Problemas osteoarticulares

 

A obesidade impõe uma carga adicional significativa sobre as articulações, acelerando o desgaste articular, especialmente dos joelhos, quadris e coluna vertebral.

Isso pode levar a dores crônicas e incapacidade física, prejudicando a mobilidade e independência do indivíduo. Problemas articulares relacionados à obesidade frequentemente resultam em cirurgias ortopédicas precoces, além de tratamentos prolongados e complexos para controle da dor e recuperação funcional.

Por que sou obeso?

A obesidade é uma doença complexa, que, para a maioria dos pacientes, não pode ser explicada por uma só condição.

Tirando casos raros – que comentaremos no final desse tópico -, a obesidade se apresenta, em geral, como uma doença primária e multifatorial.

Acolher, avaliar de forma individual cada caso, e compreender o que levou o paciente à obesidade é essencial para estabelecer um tratamento eficaz.

Para isso, um médico atencioso, como o Dr. Herico Blaschi é fundamental.

Vamos falar, agora, um pouco sobre cada um dos principais fatores envolvidos no ganho e na dificuldade para perda de peso.

– Fatores genéticos

 

A genética desempenha um papel fundamental na predisposição à obesidade. Genes específicos influenciam mecanismos de fome, saciedade e metabolismo basal.

Pesquisas recentes identificaram centenas de variantes genéticas que, quando combinadas, podem aumentar de forma considerável o risco de o indivíduo desenvolver obesidade durante a vida.

Não por acaso, estudos demonstram que a hereditariedade pode estar associada a algo entre 40% e 70% dos casos, sendo comum observar a ocorrência familiar da doença.

– Ambiente obesogênico

 

Um ponto importante dos estudos que associam a obesidade à hereditariedade é que não apenas os genes podem estar envolvidos nesses casos.

Os hábitos de vida que são passados de pais para filhos influenciam muito no desenvolvimento do paladar, dos hábitos alimentares, e na realização de atividade física regular durante a vida.

Saindo da esfera familiar para a sociedade, o ambiente alimentar atual apresenta alta disponibilidade de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares (carboidratos) e gorduras.

É muito fácil encontrar refeições que oferecem praticamente toda a necessidade calórica diária de um adulto. Isso contribui muito para o aumento da prevalência de obesidade.

Além disso, o sedentarismo, impulsionado pelo uso excessivo de telas e pouca atividade física, favorece o ganho de peso e dificulta muito o tratamento da obesidade.

– Fatores psicológicos

 

Estresse crônico, síndrome do burnout, ansiedade e depressão são condições frequentemente associadas ao ganho de peso excessivo.

Muitas pessoas recorrem à alimentação emocional como forma de lidar com sentimentos negativos, criando padrões alimentares desordenados e compulsivos.

Tratamentos psicológicos, como terapia cognitivo-comportamental, têm sido eficazes em ajudar pacientes obesos a gerenciar suas emoções e comportamentos relacionados à comida.

Quando há doenças psiquiátricas claramente estabelecidas, a escolha das melhores medicações pode ajudar tanto no tratamento da doença de base, quanto no tratamento da própria obesidade.

– Medicamentos

 

Diversas classes de medicamentos, como os corticoides, alguns antidepressivos e antipsicóticos têm como efeito adverso o ganho de peso.

Pacientes em uso dessas medicações devem ter acompanhamento nutricional e médico rigoroso para evitar complicações relacionadas ao excesso de peso.

– Doenças

 

Obesidade secundária a outras doenças é algo relativamente raro. Conforme discutimos acima, grande parte dos pacientes tem obesidade como doença primária, de causa multifatorial.

Porém, algumas doenças de fato podem causar, auxiliar no desenvolvimento, ou mesmo dificultar o tratamento da obesidade. Vamos falar um pouco sobre cada uma delas.

– Síndrome de Cushing

 

Caracterizada pela produção excessiva de cortisol, promove acúmulo de gordura predominantemente na região central do corpo, rosto (face de lua cheia), pescoço, e parte superior das costas.

Outras características marcantes da doença é o surgimento de estrias violáceas no abdome, atrofia muscular e perda de massa óssea – muitas vezes levando a osteoporose.

Associada também à hipertensão e intolerância à glicose, seu diagnóstico geralmente inclui teste de supressão com dexametasona e dosagem de cortisol urinário em 24 horas.

Avaliações periódicas e ajustes nos tratamentos medicamentosos podem minimizar esses efeitos adversos, ajudando na manutenção de um peso corporal saudável.

– Hipotireoidismo

 

Essa doença é caracterizada pela redução do metabolismo basal, levando a um discreto ganho de peso.

É importante frisar que, geralmente, essa doença não é a causa única da obesidade, sendo muito mais um fator que pode auxiliar no ganho de peso e dificultar o emagrecimento.

Os principais sintomas são fadiga, intolerância ao frio, pele seca, constipação e alterações menstruais. O diagnóstico é realizado através da dosagem dos hormônios tireoidianos – em especial, TSH e T4 livre.

O tratamento adequado com reposição hormonal reverte rapidamente esses sintomas, auxiliando no tratamento da obesidade.

– Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

 

Doença que afeta até 10% das mulheres em idade fértil. É caracterizada por obesidade central, resistência à insulina, irregularidade menstrual e dificuldade para engravidar.

A obesidade na SOP está diretamente relacionada ao aumento da resistência insulínica, que contribui para o agravamento do quadro clínico.

Perda de peso, medicamentos que melhoram a sensibilidade à insulina, anticoncepcionais e orientação ginecológica são estratégias fundamentais no tratamento dessa síndrome​.

– Deficiência de GH (hormônio do crescimento)

 

A deficiência de hormônio de crescimento (GH) pode levar à obesidade por reduzir a taxa metabólica basal, diminuir o consumo de gordura e alterar a distribuição da gordura corporal, levando a um acúmulo centralizado.

Isso faz com que os pacientes com deficiência de GH frequentemente apresentam maior adiposidade e menor massa muscular.

A suplementação de GH – que só deve ser indicada para quem de fato tem deficiência desse hormônio – pode reverter essas alterações, normalizando a composição corporal e o gasto energético basal.​

– Hipogonadismo

 

Outra condição associada à obesidade, particularmente pela alteração da composição corporal com aumento significativo de gordura visceral.

Em homens, a redução dos níveis de testosterona está diretamente relacionada ao aumento da adiposidade abdominal e a distúrbios metabólicos como resistência à insulina e dislipidemia.

A terapia com testosterona – que também só deve ser indicada para quem tem deficiência hormonal comprovada – pode melhorar o perfil metabólico e reduzir a obesidade visceral nesses pacientes.​

– Obesidade hipotalâmica

 

Causada por lesões no hipotálamo devido a tumores, cirurgias ou radioterapia, leva ao ganho de peso significativo através do aumento do apetite, diminuição do gasto metabólico basal e desregulação autonômica.

Esses pacientes frequentemente exibem outras alterações, como diabetes insípido, hipogonadismo hipogonadotrófico e hipotireoidismo central, exigindo tratamento hormonal específico e acompanhamento rigoroso para controle de peso.

– Insulinoma

 

O insulinoma é um tumor raro produtor de insulina.

Por ser um hormônio que joga a glicose do sangue para dentro das células (para utilização ou para estoque), essa doença causa quadros graves de hipoglicemia, além do aumento da gordura corporal.

Nesses casos, uma investigação minuciosa é necessária para diagnóstico correto e retirada do tumor.

– Obesidade monogênica

 

Diferente da influência multigênica que comentamos anteriormente, nesse caso temos alguma mutação específica que causa obesidade.

As mais comuns são a deficiência de leptina, do receptor da leptina, mutações no MC4R e deficiência de POMC.

Essas condições frequentemente se manifestam desde a infância, com hiperfagia intensa e obesidade grave de início precoce, sendo que a identificação genética pode auxiliar no manejo individualizado dos pacientes.

Como saber se tenho obesidade?

O diagnóstico correto da obesidade é fundamental para o planejamento eficaz do tratamento e prevenção das complicações.

A forma mais tradicional ainda é baseada no Índice de Massa Corporal (IMC), mas muita coisa mudou nos últimos anos.

Para uma avaliação completa e individualizada, outros métodos e definições surgiram. As novas abordagens enfatizam a importância de considerar múltiplos fatores para o diagnóstico e seguimento do paciente.

Estar sempre atualizado e utilizar as ferramentas corretamente, como faz o Dr Herico Blaschi, é essencial para o cuidado adequado da obesidade.

Índice de Massa Corporal (IMC)

O IMC é o método mais utilizado para diagnosticar e classificar a obesidade no mundo.

É Calculado através da divisão do peso corporal (em kg) pela altura (em metros) ao quadrado. De acordo com o resultado, podemos classificar da seguinte forma:

  • – IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m²: peso normal
  • – IMC entre 25 e 29,9 kg/m²: sobrepeso
  • – IMC entre 30 e 34,9 kg/m²: obesidade grau 1
  • – IMC entre 35 e 39,9 kg/m²: obesidade grau 2
  • – IMC acima de 40 kg/m²: obesidade grau 3

Paciente com origens étnicas do sul da Ásia, China, outras áreas asiáticas, Oriente Médio, África ou Caribe têm maior risco metabólico com IMC menores, sendo recomendada uma classificação ajustada:

  • Sobrepeso: IMC 23 – 27,4 kg/m²
  • Obesidade: IMC ≥ 27,5 kg/m²

O IMC é um método prático, amplamente difundido e ainda o mais utilizado para diagnosticar a obesidade.

Porém, ele não distingue gordura de músculo, nem identifica a distribuição da gordura corporal.

Por isso, outros métodos foram criados para complementar a avaliação de obesidade e possibilitar um diagnóstico mais assertivo.

– Medidas de adiposidade central

 

Conforme falamos, foi necessário criar medidas que conseguissem distinguir o indivíduo que apresenta IMC alto por ter muita massa muscular daquele com IMC alto por excesso de gordura.

Para isso, foram criadas as medidas de adiposidade central. Como elas refletem muito bem a gordura visceral, também são boas ferramentas para auxiliar na predição de risco cardiovascular do paciente obeso.

A mais conhecida e simples é a medida da circunferência abdominal. Para realizar, basta utilizar uma fita métrica no ponto médio entre a crista ilíaca e a costela. Valores considerados de risco elevado são:

  • Homens não asiáticos: acima de 102 cm
  • Homens asiáticos: acima de 90 cm
  • Mulheres não asiáticas: acima de 88 cm
  • Mulheres asiáticas: acima de 80 cm

Outra medida que reflete bem a adiposidade central é a relação cintura-estatura. Como o nome sugere, nela dividimos a circunferência abdominal pela estatura do paciente, gerando a seguinte classificação:

  • Normal: 0,4 – 0,49
  • Aumento do risco: 0,5 – 0,59
  • Alto risco metabólico: ≥ 0,6

Pacientes com relação aumentada apresentam maior risco de desenvolvimento de hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares.

– Histórico de Peso Máximo Alcançado

 

Consiste em uma nova forma de avaliar e classificar os pacientes obesos proposta pela ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica). É baseada em dois fatores principais:

    1. Peso máximo atingido na vida, que serve como referência inicial para o diagnóstico.

    1. Porcentagem de perda de peso sustentada após tratamento clínico.

Com esses dados, os pacientes são classificados em categorias de obesidade “não controlada”, “reduzida” ou “controlada”, de acordo com a tabela:

Essa nova abordagem procura ressaltar dois pontos muito importantes. O primeiro ponto é o caráter crônico da doença. Uma vez obeso, sempre obeso.

Por mais que o paciente perca peso com o tratamento, e atinja até mesmo um IMC de “peso normal”, ele sempre será classificado como obeso de acordo com o maior peso que já teve na vida.

Isso acontece porque os mecanismos neuroendócrinos desse paciente sempre tentarão fazer com que ele volte a ganhar peso.

Não perder de vista que ele tem risco de ganho de peso maior do que quem nunca foi obeso é essencial para o seu cuidado de saúde.

O segundo ponto é entender que, mesmo não atingindo o “peso ideal” para sua altura, a perda sustentada de mais de 5-10% do peso corporal já traz muitos benefícios à saúde, devendo ser encorajada e perseguida como uma das metas de tratamento.

Note que, na tabela, não tem classificação para indivíduos com IMC acima de 50 kg/m².

Isso acontece porque não há dados que sustentem que a perda de apenas um percentual de peso nesses casos traga os mesmos benefícios.

Outras populações para as quais essa classificação não é validada são:

  • – Pacientes acima de 65 anos.
  • Crianças e adolescentes.
  • – Indivíduos com perda de peso involuntária por doenças graves ou crônicas.
  • – Pacientes com uso crônico de corticoides ou que apresentam síndrome de Cushing ativa.
  • – Mulheres grávidas ou lactantes (o peso máximo da gravidez não é considerado).

Esses pacientes devem ser avaliados com outros métodos e classificações.

– Avaliação da Composição Corporal

 

Um dos métodos mais utilizados é a Bioimpedância Elétrica (BIA), que mede a resistência elétrica oferecida pelo corpo para determinar a proporção de massa gorda e massa magra.

A BIA é indicada quando se busca uma avaliação rápida, acessível e não invasiva da composição corporal, especialmente para acompanhamento clínico e monitoramento do tratamento da obesidade.

A classificação da obesidade por bioimpedância geralmente considera o percentual de gordura corporal.

Para homens, os valores de corte são:

  • – Normal: até 20% de gordura corporal
  • – Sobrepeso: entre 21% e 25%
  • – Obesidade: acima de 25%

Para mulheres, os valores de corte são:

  • – Normal: até 30% de gordura corporal
  • – Sobrepeso: entre 31% e 35%
  • – Obesidade: acima de 35%

É importante frisar que a avaliação da BIA não necessariamente dará informações adicionais ou melhores estimativas de risco em relação às medidas tradicionais comentadas anteriormente.

Além disso, pode sofrer influência de fatores como hidratação, consumo alimentar recente e prática de exercícios físicos.

Dessa forma, deve ser utilizada com cautela e não deve substituir a avaliação clínica com IMC e as medidas de adiposidade central.

Outro método altamente preciso é a Absorciometria por Raios-X de Dupla Energia (DXA).

Esse exame utiliza raios-X de duas energias diferentes para distinguir com alta precisão os tecidos ósseo, muscular e adiposo.

Também é capaz de avaliar a distribuição regional de gordura (adiposidade visceral e subcutânea), massa muscular e densidade mineral óssea.

O DXA é considerado padrão-ouro na avaliação da composição corporal.

É recomendado quando se necessita de precisão elevada e detalhada, como em pesquisa clínica, estudos epidemiológicos e diagnóstico diferencial de casos complexos.

Para homens, os valores de corte são:

  • Normal: até 25% de gordura corporal
  • Sobrepeso: entre 25% e 30%
  • Obesidade: acima de 30%

Para mulheres, os valores de corte são:

  • Normal: até 35% de gordura corporal
  • Sobrepeso: entre 35% e 40%
  • Obesidade: acima de 40%

Por fim, a avaliação da composição corporal por tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) também são métodos altamente precisos, capazes de diferenciar a gordura subcutânea da gordura visceral.

São menos utilizados rotineiramente devido ao custo elevado e necessidade de equipamentos especializados.

– Avaliação Clínica Completa

 

A avaliação do paciente com obesidade exige uma avaliação clínica abrangente, incluindo:

  • – Exames laboratoriais (glicose, colesterol, triglicerídeos)
  • – Avaliação cardiovascular (ECG, teste ergométrico)
  • – Avaliação hepática (enzimas hepáticas, ultrassonografia)
  • – Avaliação endocrinológica (dosagem hormonal, avaliação da tireoide)

Esses exames identificam precocemente comorbidades associadas e orientam o manejo adequado do paciente.

– Avaliação Psicológica e Comportamental

 

A avaliação psicológica detalhada é essencial no cuidado da obesidade, identificando transtornos alimentares como compulsão alimentar, ansiedade e depressão, que frequentemente acompanham e perpetuam a obesidade.

– Avaliação Nutricional Detalhada

 

A avaliação nutricional completa analisa:

  • Hábitos alimentares
  • Preferências
  • Padrões de consumo de alimentos
  • Comportamento alimentar

Dessa forma, conseguimos identificar erros e comportamentos alimentares inadequados que precisam ser corrigidos para garantir o sucesso do tratamento.

Tratamento da obesidade: Uma batalha diária

Eu sei que quem é ou já foi obeso compreende muito bem o título desse tópico. Para quem sofre com obesidade, é muito difícil perder peso e muito fácil reganhar.

Isso acontece porque, evolutivamente, nossa espécie se adaptou muito bem para situações de escassez de alimentos.

O nosso cérebro é, portanto, programado para sempre manter ou retornar ao maior peso que já tivemos na nossa vida.

Quando o paciente obeso emagrece, seu corpo não entende que está “mais saudável” após a perda de peso. Ao contrário, entende que ele se encontra em algum momento de privação de alimentos ou inanição.

E isso desencadeia uma série de reações neuroendócrinas que aumentam o apetite do paciente e reduzem a taxa de consumo metabólico basal.

Por isso, o paciente que é ou já foi obeso tem sempre aquela sensação de que come tanto quanto a pessoa que sempre foi magra, porém engorda com mais facilidade.

E esse é o motivo pelo qual os tratamentos pontuais tendem sempre a falhar.

Uma dieta que não pode ser mantida por longo tempo, ou um tratamento medicamentoso realizado apenas por um curto período, levará uma perda inicial de peso que, muito provavelmente, será recuperado após.

A partir de agora, vamos discutir como podemos implementar mudanças de estilo de vida e como as medicações podem ajudar nesse processo.

Falaremos também sobre quando considerar a cirurgia e os principais procedimentos disponíveis.

Nesse momento, um médico atualizado e experiente, como o Dr Herico Blaschi, é essencial para um cuidado completo e indicação correta dos tratamentos disponíveis.

– Déficit calórico

 

A conta é simples: para perdermos peso, precisamos gastar mais calorias do que consumimos durante o dia. De forma aproximada, quando conseguimos um déficit de 500 kcal por dia, perdemos cerca de 0,5 kg por semana.

Mas como sabemos quanto gastamos de energia durante o dia? Existe uma conta mais “fácil”, que é multiplicar 22 pelo peso da pessoa, com uma margem de 20% para mais ou para menos.

Para ilustrar, uma mulher de 45 anos que pesa 100 kg terá um gasto energético basal de cerca de 2200 kcal, podendo variar de 1860 kcal a 2620 kcal (a depender da composição física e do nível de atividade física).

Outra forma, um pouco mais complexa, é utilizar a tabela da OMS em 3 etapas, conforme explicado abaixo:

No mesmo exemplo da mulher anterior, ela terá um gasto calórico diário estimado de 2170 kcal (baixo), 2504 kcal (moderado) ou 2838 kcal (alto) – a depender do nível de atividade física que pratica durante o dia.

Mais importante do que o cálculo em si (que é apenas uma estimativa), é entendermos, com essas tabelas, os fatores que influenciam no gasto metabólico diário do paciente

    • – Sexo: homens tem gasto basal maior que as mulheres

    • – Idade: quanto mais velho for o paciente, menor será seu gasto

    • – Atividade física: quanto mais ativo for o paciente, maior será seu gasto

No cálculo da meta de ingesta calórica do paciente, o médico levará em conta esses fatores para que, ao final do dia, haja déficit calórico. Quanto maior o déficit, de forma lógica, mais rápida será a perda de peso.

Via de regra, uma meta entre 800 kcal e 1300 kcal costuma ser suficiente para atingir um déficit calórico adequado de forma segura.

Metas mais restritivas (abaixo de 800 kcal) podem ser utilizadas como exceção, quando é necessária perda de muito peso em pouco tempo – com acompanhamento médico próximo para evitar complicações.

Para atingir essas metas, podemos pesar os alimentos, utilizar tabelas que convertem “porções” em “pontos”, ou mesmo utilizar aplicativos que estimam a ingesta calórica – com boa precisão – por fotos da refeição.

A forma que o paciente utilizará para estimar as calorias ingeridas deve ser aquela com a qual se sinta mais confortável. Mais do que o método, o importante é adicionar esse hábito à sua rotina diária.

A frequência com a qual os alimentos serão ingeridos – de 3 em 3 horas ou com períodos de jejum extensonão faz diferença na perda de peso final, desde que a meta calórica seja atingida.

A composição de macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) também não influencia de forma significativa na perda de peso.

Ou seja, uma dieta “low carb” ou “zero carb” não será necessariamete mais eficaz para perda de peso do que uma dieta equilibrada de mesma meta calórica.

De forma geral, orientamos uma alimentação balanceada, evitando alimentos ultraprocessados ou de alta densidade calórica, como doces, refrigerantes e lanches.

Os últimos, em especial, são uma das grandes armadilhas da obesidade, pois oferecem muita caloria em troca de uma sensação de saciedade baixa – em pouco tempo, o paciente sentirá fome de novo.

Conforme a perda de peso ocorre, a composição corporal pode mudar. Além disso, o paciente pode ter uma queda da taxa metabólica basal induzida pelo próprio emagrecimento.

Como falamos no início do tópico, o cérebro entende que estamos um momento de “dificuldade de acesso a alimentos” e tenta “economizar energia“.

Dessa forma, durante o tratamento é necessário seguimento próximo para reajustar o cálculo de meta calórica e manter a perda de peso – ou, caso a meta de peso tenha sido atingida, evitar o reganho.

– Mudanças Comportamentais e Estilo de Vida

 

As mudanças comportamentais são o primeiro passo e o mais crucial no tratamento da obesidade. Como vimos a obesidade é uma doença crônica, que acompanhará o paciente por toda a sua vida.

Por isso, o sucesso depende muito da capacidade do paciente de adotar e sustentar hábitos saudáveis de alimentação e atividade física.

Programas estruturados e individualizados que envolvem técnicas de controle das calorias ingeridas, monitoramento frequente do peso, e técnicas de gestão emocional têm resultados melhores no longo prazo.

A adesão a essas mudanças é facilitada por suporte psicológico constante, especialmente em pacientes que apresentam ansiedade ou compulsão alimentar.

Técnicas como terapia cognitivo-comportamental são recomendadas para tratar comportamentos alimentares inadequados, focando na autoeficácia do paciente em relação ao próprio tratamento.

Mudanças radicais são difíceis de atingir e sustentar. Quando não atingidas, podem gerar frustração pela “falha” e piorar seu padrão alimentar.

O paciente, portanto, deve implementar mudanças realistas em seu estilo de vida, com objetivos claros e mensuráveis.

Tais mudanças devem incluir não apenas ajustes alimentares e exercícios físicos, mas também melhorias no sono e no manejo de situações estressantes do cotidiano.

Além disso, a educação continuada sobre nutrição e atividade física é essencial para que o paciente mantenha a motivação ao longo do tratamento.

Intervenções educativas ajudam o paciente a entender como suas escolhas diárias afetam sua saúde e seu peso.

Por fim, estabelecer uma rede de suporte social, envolvendo familiares e amigos próximos, é importante para garantir o sucesso a longo prazo dessas mudanças.

O apoio social ajuda a manter o paciente comprometido e engajado no tratamento.

– Abordagem Dietética

 

Conforme explicamos, a dieta é um dos pilares essenciais no manejo da obesidade, pois é com ela que atingiremos o déficit calórico desejado.

Para que funcione no longo prazo, é fundamental que a abordagem dietética seja personalizada, considerando preferências individuais, estilo de vida, condições médicas associadas e objetivos pessoais do paciente.

Uma dieta balanceada e sustentável é mais eficaz e segura do que dietas extremas ou altamente restritivas. Dietas de restrição calórica moderada (800 a 1300 kcal) são frequentemente as mais recomendadas.

Essas dietas permitem perda de peso gradual e saudável, minimizando a perda de massa muscular e prevenindo a sensação excessiva de fome ou privação alimentar.

Dietas com restrição mais intensa, como as dietas de muito baixa energia (menos de 800 kcal por dia), podem ser usadas em situações específicas, sob estrita supervisão médica.

Essas dietas proporcionam perda rápida de peso, mas podem trazer efeitos colaterais e devem ser seguidas apenas por curtos períodos.

A orientação nutricional contínua é essencial durante todo o processo de tratamento.

O paciente deve ser acompanhado regularmente, ajustando a dieta conforme necessário para garantir resultados eficazes e sustentáveis.

Finalmente, a reeducação alimentar é um elemento chave. O paciente deve aprender a selecionar alimentos saudáveis, identificar porções adequadas e entender como o corpo responde a diferentes tipos de alimentos.

Isso permite o ganho de autonomia por parte do paciente e a manutenção eficaz do tratamento no longo prazo.

– Atividade Física

 

A atividade física regular auxilia na perda de peso sustentada, melhora a capacidade funcional e a qualidade de vida do paciente.

Para melhora da saúde cardiovascular, recomendamos pelo menos 150 minutos de atividade física de moderada intensidade por semana, que podem incluir atividades como caminhadas rápidas, natação, ciclismo ou dança.

Para perda de peso, o ideal é atingir pelo menos 300 minutos de atividade moderada.

Mas esses números servem apenas como guias. Para boa parte das pessoas, encaixar essa carga de exercícios nas suas atividades cotidianas pode ser muito difícil.

Por isso, encorajamos que seja realizada atividade física o tanto quanto for possível para o paciente no momento atual da vida dele.

Quanto mais atividades conseguir realizar, provavelmente maior será o seu benefício.

Além de atividades aeróbicas, exercícios de resistência – a famosa “musculação” – são altamente recomendados, pois ajudam a preservar a massa muscular durante o emagrecimento.

Isso contribui para um metabolismo mais eficiente e auxilia na manutenção do peso perdido.

A prescrição de atividade física deve ser individualizada, considerando condições prévias de saúde, nível de condicionamento físico e preferências pessoais do paciente.

Atividades agradáveis e acessíveis tendem a aumentar a adesão a longo prazo.

O acompanhamento por profissionais qualificados, como educadores físicos, é importante para garantir segurança, eficácia e progressão adequada das atividades físicas.

Orientações sobre técnicas corretas de execução e prevenção de lesões são essenciais.

Por fim, é importante incentivar a incorporação da atividade física na rotina diária do paciente, criando hábitos duradouros que irão contribuir para a manutenção dos resultados obtidos durante o tratamento.

– Medicações para emagrecer

 

Existe muito receio de alguns pacientes quanto ao uso de medicações para emagrecer.

Isso ocorre porque, em um passado não muito distante, os remédios para perda de peso não tinham resultados tão bons e eram acompanhadas de vários efeitos colaterais.

As principais opções causavam tremores, sudorese, palpitações, diarreia, dentre outros sintomas que tornavam muito difícil a manutenção delas no longo prazo.

E, como dissemos, a obesidade é uma doença crônica, cujo tratamento deve ser realizado para toda a vida.

Uma das medicações mais utilizadas, inclusive, era associada a aumento de risco de infarto e AVC em determinadas populações de pacientes, sendo proibido em diversos países.

Isso fez com que muitas pessoas ficassem com medo de tratar obesidade com medicamentos.

Contudo, esse cenário tem mudado nos últimos anos.

Novas medicações promovem emagrecimento superior sem efeitos colaterais tão ruins. E elas não apenas tem menor risco, como tem benefício comprovado em vários órgãos diferentes.

Vamos falar agora um pouco sobre cada classe de medicação e como podemos tirar o melhor de cada uma delas a depender do contexto de cada paciente.

– Agonistas de GLP-1

 

Essa é a classe de medicações da famosa “canetinha para emagrecer”. Sem dúvidas, é a de maior destaque para o tratamento da obesidade atualmente, causando uma verdadeira revolução nos últimos anos.

Para ilustrar como essa classe mudou o panorama da obesidade, uma de suas principais medicações ficou em falta porque a produção industrial não foi suficiente para lidar com o alto volume de vendas.

Outra dessas medicações demorou para chegar ao Brasil porque a indústria ainda estava ampliando a sua produção para conseguir atender ao mercado brasileiro.

E o que faz dessas medicações tão especiais? O principal, sem dúvidas é o percentual de perda de peso que elas promovem.

Uma das medicações – a mais utilizada atualmente – traz perda de peso média de 14,9%, com redução média de 15,3 kg. A mais recente, traz perda de peso média de 20,9%, com redução média de 23,6 kg.

É uma eficácia muito acima do que as outras medicações proporcionavam.

E o melhor: comparativamente às opções medicamentosas do passado, essa redução vem às custas de poucos efeitos colaterais. Na maioria dos casos, esses efeitos não são graves, sendo náuseas e vômitos os mais comuns.

Com titulação adequada da medicação, esses efeitos são bem tolerados pela maioria dos pacientes. E isso permite exatamente aquele tratamento de longo prazo que é tão importante na obesidade.

Ainda, em alguns perfis específicos de pacientes, essas medicações têm outros grandes benefícios, como:

  • Redução de mortalidade, infarto e AVC em pacientes com IMC acima de 27 kg/m² e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida
  • Melhora de sintomas e redução de internações em pacientes com insuficiência cardíaca e obesidade
  • Redução da taxa de piora de função renal em pacientes diabéticos com doença renal crônica
  • Redução de progressão da esteatose hepática (a famosa “gordura no fígado”) para cirrose

Isso tudo faz com que essas medicações sejam a primeira opção de escolha para a maioria dos pacientes com obesidade.

Porém, é importante ressaltar: o uso dessas medicações deve ser realizado sob prescrição e supervisão de um médico competente que saiba utilizar e tenha experiência com elas – como o Dr. Herico Blaschi.

– Medicações psicotrópicas

 

Combinações de medicações com ação no sistema nervoso central por diferentes mecanismos podem levar a perda de peso.

Infelizmente, a opção que leva à maior redução percentual – de 8,45%não está disponível no Brasil.

A opção que está disponível no mercado brasileiro atualmente leva a uma perda percentual de cerca de 6,1%, sendo náuseas, vômitos, constipação, boca seca e insônia os efeitos colaterais mais frequentes.

Devido ao risco de ideação suicida, é orientado que essa combinação não seja utilizada para pacientes de menos de 24 anos com depressão.

Outra contraindicação absoluta é para pacientes com alto risco de crises convulsivas.

Outras medicações psicotrópicas também podem ter efeito na redução do apetite e são utilizados de maneira off-label (fora da indicação “de bula”) para tratamento de obesidade.

Por terem ação sobre ansiedade, são utilizadas principalmente para pacientes com padrões alimentares de compulsão e de “beliscador” – aquele no qual o paciente come vários “pequenos petiscos” entre as refeições, como bolachas e biscoitos.

Porém, essas medicações não têm evidência tão clara de benefício como as combinações citadas, devendo ser utilizadas como exceção, para pacientes específicos.

– Inibidor da absorção de gordura

 

Uma das classes de medicações disponíveis inibe a digestão de gorduras, evitando que sejam absorvidas. A consequência direta é a eliminação de parte da gordura que ingerimos nas fezes.

Leva a uma redução de peso mais discreta em relação às alternativas anteriores – média de 5,17% – e tem como grande ponto fraco a dificuldade de manutenção do tratamento a longo prazo.

Isso porque a eliminação de gordura nas fezes vem acompanhada, em geral, da perda de consistência das fezes, gerando diarreia e, em alguns casos, dificuldades para segurar as fezes (incontinência fecal).

– Tratamento cirúrgico da obesidade

 

Caso o paciente não consiga perder peso de maneira sustentada com mudanças alimentares, atividade física e medicações, podemos considerar o tratamento cirúrgico da obesidade.

Para considerar essa opção de tratamento, o paciente deve obedecer a alguns critérios:

  • – IMC acima de 40 kg/m², independentemente da presença de comorbidades.
  • – IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades.
  • – IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidades classificadas como “grave” por um médico especialista na área da doença
  • – Idade entre 18 e 65 anos (pacientes com menos de 18 anos ou mais de 65 anos podem ter o caso avaliado de forme individualizada)
  • – Obesidade há mais de 5 anos
  • – Falha no tratamento clínico por pelo menos 2 anos

Os principais procedimentos incluem o bypass gástrico em Y de Roux, que combina redução gástrica com desvio intestinal, e a gastrectomia vertical (Sleeve), que consiste na redução significativa do volume gástrico sem desvio intestinal.

A primeira técnica chega a promover perda média de 28,4% do peso inicial em 1 ano, enquanto a segunda técnica leva a perda média de 23%.

Além dessas técnicas, opções menos invasivas, como o balão intragástrico e a banda gástrica ajustável, podem ser consideradas, porém levam a redução menor do peso comparada às outras intervenções.

O sucesso de qualquer um dos procedimentos depende muito do acompanhamento multidisciplinar – que inclui suporte médico, nutricional e psicológico -, e a escolha da técnica ideal para cada paciente deve ser feita com um cirurgião competente.

É importante frisar que a realização de qualquer procedimento não substitui os tratamentos anteriores. É fundamental que o paciente mantenha acompanhamento clínico, nutricional e de atividade física.

Conclusão

A obesidade é uma doença crônica que vai muito além da aparência, afetando seriamente a saúde física e emocional.

Caso não seja adequadamente tratada, pode gerar várias complicações, como problemas cardíacos, diabetes e dificuldades respiratórias.

É fundamental entender que a origem da obesidade é, na maioria dos casos, multicausal.

Ela pode surgir por fatores genéticos, hábitos alimentares, falta de atividade física, problemas emocionais ou até mesmo pelo uso de certos medicamentos.

Por isso, é necessário fazer um diagnóstico detalhado para encontrar o tratamento ideal para cada pessoa.

Para tratar a obesidade com sucesso, mudanças de estilo de vida são essenciais. Isso inclui seguir uma alimentação saudável, praticar exercícios regularmente e receber acompanhamento psicológico.

Atualmente, existem medicamentos eficazes que auxiliam muito no processo de perda de peso.

Alguns remédios modernos oferecem bons resultados com poucos efeitos colaterais e ainda trazem benefícios adicionais para o coração e o metabolismo.

Para conseguir os melhores resultados, é essencial o seguimento próximo com um médico competente e atualizado, como o Dr. Herico Blaschi.

Em casos mais graves, quando outras abordagens não funcionam bem, a cirurgia bariátrica pode ser uma boa alternativa.

Porém, é necessário cumprir critérios específicos e ter acompanhamento constante com uma equipe médica especializada.

Por fim, o tratamento da obesidade é uma tarefa diária que requer paciência, dedicação e apoio constante de todos que cercam o paciente.

Leia também:

Caso tenha se interessado pelo tema, essas são boas sugestões para complementar sua leitura:

 

https://www.einstein.br/n/glossario-de-saude/obesidade

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0lzgnpl909o

 

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cm286xmrlklo

 

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https://www.einstein.br/n/glossario-de-
saude/obesidade


https://www.bbc.com/portuguese/arti
cles/c0lzgnpl909o

 

https://www.bbc.com/portuguese/arti
cles/cm286xmrlklo